PAPO DE ESPECIALISTA
Riqueza em recursos, pobreza em gestão: o contraste que trava o desenvolvimento do Brasil
Olmair Perez Rillo analisa por que o país cresce abaixo do seu potencial e defende o voto consciente e o engajamento da sociedade civil
Publicado em 20/08/2026 às 11:32
O Brasil é, por definição, um país de contrastes que desafiam a lógica econômica destacando-se globalmente por possuir imensas reservas de minérios, a maior fatia de água doce do planeta, uma força avassaladora no agronegócio e uma indústria historicamente resiliente. Não bastasse isso, nele pulsa uma população naturalmente empreendedora, que cria oportunidades onde o cenário é hostil. No entanto, ano após ano, o país repete o mesmo roteiro melancólico: cresce muito abaixo do seu real potencial.
A raiz desse subdesenvolvimento crônico não está na escassez de recursos, mas na miopia de alguns dirigentes que falham na interpretação do papel do Estado, quando deveriam atuar como os principais indutores do desenvolvimento e da segurança jurídica.
Em vez disso, o que se observa na arena política é a priorização da demagogia e de embates ideológicos vazios, que geram disputas narrativas em detrimento dos problemas estruturais históricos e da real valorização das pessoas.
Com isso, a classe política — ao afastar-se das demandas urgentes da nação — cria um vácuo de liderança técnica e escancara as portas para o avanço da burocracia sufocante, da corrupção endêmica e do mau uso dos recursos públicos.
Para romper esse ciclo vicioso e resgatar a nossa rota de crescimento, a resposta não virá unicamente de um governo salvador, mas também da própria sociedade civil, cujo engajamento social precisa deixar de ser um conceito abstrato e se transformar em uma postura vigilante e ativa.
Somente a pressão popular contínua será capaz de blindar e fortalecer instituições independentes, transformando os órgãos de fiscalização em instrumentos reais de transparência e corte de privilégios.
Essa mudança de postura exige, antes de tudo, que estejamos conscientes de que a gestão pública e o desenvolvimento sustentável somente serão viáveis se sustentados em dados e soluções práticas, não em debates meramente ideológicos.
Esta é uma das razões pelas quais o voto consciente surge como a principal ferramenta democrática para alinhar as decisões do poder às reais necessidades da população.
É por intermédio dele que iremos exigir a transformação dos “governos de ocasião” em políticas de Estado duradouras — diretrizes que sobrevivam a mandatos, calendários eleitorais ou vaidades partidárias.
Afinal, a gestão pública eficiente não se faz com improviso ou populismo, mas sim com planejamento estratégico, diálogo contínuo e um compromisso inabalável com os interesses coletivos calcado em ideais republicanos.
Em última análise, onde há riqueza em recursos e pobreza em gestão, o fracasso é o único resultado garantido.
Fonte: Olmair Perez Rillo é membro da Academia Penapolense de Letras (APL), integra a Comissão de Méritos da Câmara Municipal de Penápolis, os Conselhos Gestores do Saneamento Ambiental (DAEP) e da Política Urbana. É marketólogo, palestrante motivacional e Presidente da Associação dos Aposentados, Pensionistas e Idosos de Penápolis (A.A.P.I.P). Instagram: @olmairperez
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