OLHAR POLÍTICO
O medo que ronda as ruas e o papel da cidade no debate nacional da segurança
O tema que lidera as preocupações do brasileiro também passa pela nossa esquina, e entender isso é o primeiro passo para cobrar soluções de verdade
Publicado em 18/08/2026 às 14:48
Pergunte a qualquer pessoa na fila do banco ou na porta da escola qual é a maior preocupação dela em relação ao Brasil de hoje. A resposta, muito provavelmente, será a violência. Não é impressão. Pesquisa Genial/Quaest divulgada recentemente mostra que 29% dos brasileiros apontam a violência como sua principal preocupação com o país, à frente de qualquer outro tema. A segurança pública se tornou o centro do debate nacional, e não é por acaso.
Em Brasília, discute-se a PEC da Segurança Pública, que pretende reorganizar as responsabilidades entre União, estados e municípios no enfrentamento da criminalidade. É uma discussão técnica, cheia de siglas e artigos, mas que no fundo responde a uma pergunta simples. Quem cuida de quê? Hoje, quando um crime acontece, o cidadão nem sempre sabe a quem cobrar, e essa confusão de competências é uma das razões pelas quais o Brasil patina há décadas nessa área.
E aqui chegamos ao ponto que mais me interessa nesta coluna. O que uma cidade como a nossa tem a ver com tudo isso?
Muita gente acredita que segurança é assunto exclusivo do governador, porque a Polícia Militar e a Polícia Civil são estaduais. É verdade que o policiamento cabe ao estado. Mas a experiência de dezenas de municípios brasileiros mostra que a cidade tem um papel enorme na prevenção. Uma rua bem iluminada inibe o crime. Uma praça ocupada por famílias à noite é uma praça mais segura. Um jovem com acesso a esporte, cultura e oportunidade de trabalho dificilmente será recrutado pelo tráfico. Videomonitoramento integrado com as forças policiais multiplica a capacidade de resposta. Nada disso depende de Brasília. Depende de gestão, de prioridade e de visão.
A segurança se constrói em camadas. A camada federal combate as grandes organizações e controla fronteiras. A estadual faz o policiamento ostensivo e a investigação. E a municipal, que muitos ignoram, cuida do ambiente urbano e das condições sociais que afastam o crime antes que ele aconteça. Quando uma dessas camadas falha, as outras ficam sobrecarregadas.
Por isso, quando o leitor acompanhar o debate nacional sobre segurança nos próximos meses, e ele vai estar em todo lugar, sugiro um exercício. Traga a discussão para perto. Pergunte como anda a iluminação do seu bairro, que oportunidades a cidade oferece à sua juventude, como o poder público local dialoga com as polícias. A segurança que protege a sua família não nasce apenas de uma emenda constitucional. Ela nasce também das escolhas feitas aqui, ao nosso lado, todos os dias.
O Brasil discute segurança em voz alta. Que a nossa cidade não fique em silêncio.
Fonte: Evandro Leite Fernandes é bacharel em Ciências Contábeis e Administração com MBA pela Fundação Getúlio Vargas e atualmente atua como gestor comercial.
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