HOMENAGEM
O chão dos Castilhos e as muitas mãos que ergueram Penápolis
Italianos, espanhóis, portugueses, japoneses e árabes ajudaram a transformar em cidade o povoado fundado em 25 de outubro de 1908
Publicado em
24/10/2026 às 10:16
Atualizado em
Há pouco mais de um século, em um território de poeira e expectativas, homens e mulheres de diferentes origens começaram a chegar trazendo consigo conhecimentos, costumes, crenças, culturas, línguas, sonhos e, sobretudo, a disposição para construir uma nova vida.
Ali nascia Santa Cruz do Avanhandava, mais tarde Penápolis, cuja história passa pela iniciativa de Eduardo José de Castilho e de sua esposa, Ana Melvira de Castilho, casal que doou as terras para a formação do patrimônio. A fundação foi marcada pela celebração da primeira missa, em 25 de outubro de 1908.
A partir daquele chão, começou a tomar forma uma comunidade impulsionada pelo encontro entre a terra e a ferrovia. Com ela vieram alguns com propriedades e recursos. Outros chegaram com pouca bagagem e grandes expectativas, procurando um lugar onde pudessem começar de novo.
O maçom Antônio Francisco Rillo foi um dos imigrantes italianos que chegaram à região e se tornou um dos personagens centrais na expansão do comércio e no nascimento das primeiras atividades industriais.
Por outro lado, a presença espanhola igualmente deixou suas marcas na formação da cidade, evidenciada pela trajetória de pioneiros como Juan Perez Martinez, cujo nome, juntamente com o de Antônio Francisco Rillo, está associado à história da Vila Peres, testemunho vivo dessa presença e da força das redes familiares formadas por italianos e espanhóis.
Mas essa história não pode ser compreendida a partir de uma única comunidade. Penápolis foi constituída pelo encontro de italianos, espanhóis, portugueses, japoneses e árabes vindos da Palestina, do Líbano e da Síria, além de outros grupos que participaram, em épocas e contextos distintos, de sua evolução econômica, social e urbana.
Essa diversidade também pode ser percebida nas pessoas que ajudaram a estruturar a jovem cidade, entre elas Raphael Cesário, que se destacou no ramo das madeiras; Francisco Franco, à frente da histórica Loja do Sol; Mestre Gaspari, com sua sapataria; a família Sabino, por meio da Loja A Disposição, que trabalhava com tecidos e artigos de armarinho; Orlando dos Santos e Manoel Teixeira, na hotelaria, acolhendo viajantes, comerciantes, trabalhadores e novos moradores que chegavam de diferentes lugares.
O crescimento da cidade também trouxe outra necessidade: cuidar da saúde. Em 14 de maio de 1919, foi fundada a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Penápolis, por iniciativa do Dr. Cândido da Cunha Cintra, seu primeiro provedor, de Manoel Bento da Cruz, do Dr. José Aniceto Correia de Mello e de Francisco Domingues Azenha, presidente da Sociedade Beneficente Portuguesa à época, entidade que, ao ser extinta, destinou à Santa Casa todo o seu patrimônio, incluindo terrenos e casas.
A Cidade Princesa nasceu, ganhou impulso com a ferrovia e cresceu com o trabalho de imigrantes italianos, espanhóis, portugueses, japoneses, sírio-libaneses e tantas outras pessoas de diferentes origens que ajudaram, cada qual a seu modo, a transformar um povoado em cidade.
Esse é o verdadeiro DNA penapolense: uma cidade construída no chão dos Castilhos com o suor do mundo, muitas mãos, muitas histórias, muitas nações e uma só alma.
Fonte: Olmair Perez Rillo é membro da Academia Penapolense de Letras (APL), integra a Comissão de Méritos da Câmara Municipal de Penápolis e os Conselhos Gestores do Saneamento Ambiental (DAEP) e da Política Urbana. Marketólogo e palestrante motivacional, preside a Associação dos Aposentados, Pensionistas e Idosos de Penápolis (A.A.P.I.P.). Instagram: @olmairperez
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