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TENTATIVAS DE GOLPE

Alerta em Penápolis para golpe que promete dinheiro de processo judicial

Golpistas se passam por advogados e pedem pagamento antecipado. Advogados e tribunais não cobram para liberar valores

Publicado em 24/10/2026 às 10:35

Órgãos de proteção ao consumidor alertam sobre tentativas de golpe (Foto: Reprodução/AI)

A ligação ou a mensagem chega com uma boa notícia e termina com prejuízo. Alguém se apresenta como advogado, informa que existe um valor de processo judicial à espera da pessoa e avisa que basta quitar uma taxa para que o dinheiro seja liberado. O golpe do falso advogado funciona exatamente nesse intervalo entre a expectativa e a transferência, e vem fazendo vítimas em todo o país, o que levou tribunais, a Ordem dos Advogados do Brasil e instituições financeiras a emitirem alertas à população.

O que torna a abordagem eficiente é a aparência de legitimidade. Os criminosos trabalham com informações verdadeiras sobre processos, mencionam números de ações reais e enviam documentos falsificados que imitam decisões judiciais, cálculos e ofícios de liberação. Em muitos casos, o assunto da conversa envolve precatórios, revisões previdenciárias ou ações antigas que a vítima de fato moveu, o que derruba a desconfiança natural de quem recebe um contato inesperado. Segundo a OAB, o esquema chega a utilizar consultas em massa a sistemas judiciais para levantar esses dados, e opera de forma coordenada por grupos com alcance nacional.

A conversa quase sempre desemboca no mesmo pedido, o pagamento antecipado de uma suposta taxa, imposto, custa processual ou honorário, acompanhado de pressa para que a transferência seja feita, em geral por Pix. A urgência não é detalhe, e sim parte da engenharia do golpe, já que impede a vítima de checar a informação antes de agir. Outro sinal recorrente aparece no destino do dinheiro, que costuma ser uma conta de terceiros sem qualquer relação com o escritório ou com o profissional citado na conversa.

Há ainda dois indícios que passam despercebidos quando a promessa de dinheiro já tomou conta da atenção. O contato normalmente parte de um número de telefone diferente daquele que a pessoa usa habitualmente para falar com seu advogado, e a notícia sobre o valor a receber surge sem que ninguém tenha pedido consulta, levantamento ou qualquer providência nesse sentido.

Como se proteger

A orientação dos órgãos que acompanham o problema parte de um princípio que resolve a maioria dos casos. Advogados e tribunais não cobram para liberar valores de processos, de modo que qualquer pedido de pagamento com essa justificativa deve ser tratado como tentativa de fraude.

Diante de uma abordagem assim, a recomendação é encerrar o contato e confirmar a informação diretamente com o advogado que acompanha o caso, utilizando os números que a pessoa já conhece e costuma usar, jamais aqueles fornecidos na mensagem suspeita. Para quem tem dúvida sobre a identidade de quem fez o contato, a OAB mantém uma ferramenta nacional de verificação, o ConfirmADV, que permite confirmar se o profissional está regularmente inscrito na entidade. Dados pessoais e bancários, por sua vez, não devem ser repassados por telefone nem por aplicativos de mensagem, em nenhuma circunstância.

Se o golpe já aconteceu

Quem percebeu o engano depois da transferência precisa agir rápido, comunicando imediatamente o advogado responsável pelo caso e a instituição financeira utilizada na operação, para tentar bloquear ou contestar o valor enviado.

Na sequência, é necessário preservar tudo o que possa servir de prova, o que inclui mensagens, áudios, vídeos, documentos recebidos, comprovantes de transferência e os números de telefone usados pelos criminosos. Esse material é o que sustenta a investigação. O registro do boletim de ocorrência fecha o procedimento e pode ser feito presencialmente em uma delegacia ou pela Delegacia Digital da Polícia Civil de São Paulo.

Fonte: Portal da Cidade Penápolis

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