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COLUNA DO OLMAIR

Olmair Rillo afirma que a corrupção apenas aprendeu a vestir roupas novas

Em artigo, o escritor percorre a história do país e sustenta que não basta trocar os ocupantes do poder sem mudar os costumes

Publicado em 08/11/2026 às 00:01

Olmair Perez Rillo (Foto: Acervo pessoal)

Os momentos políticos que vivenciamos ao longo dos anos, marcados por denúncias de corrupção e favorecimentos, convida a uma reflexão incômoda: até onde vai a nossa responsabilidade? Afinal, muitos dos que ocupam cargos eletivos chegaram lá pelo voto. Isso não significa condenar toda a classe política ou empresarial pelos desvios de alguns. A generalização também é uma forma de injustiça.

Mas como compreender tantos escândalos sem olhar para trás?

Quando as caravelas portuguesas chegaram, estas terras já eram habitadas por povos indígenas, com suas línguas, crenças e culturas. Não foram consultados sobre o destino que lhes seria imposto. Vieram a violência, a perda de territórios e a exploração de riquezas que, em grande parte, atravessavam o oceano para beneficiar a metrópole.

Em 1808, a chegada da Corte portuguesa, fugindo das tropas de Napoleão, trouxe mudanças importantes: abertura dos portos, estímulo a atividades econômicas e criação de instituições de ensino, cultura e administração. Seria injusto negar esses avanços. Mas o progresso tinha um preço: a manutenção da realeza custava caro, enquanto privilégios e favorecimentos se multiplicavam.

Em 1821, Dom João VI regressou a Portugal. A saída da Corte e a retirada de recursos agravaram dificuldades financeiras do Banco do Brasil.

O rei partiu. Os problemas ficaram

Não seria correto afirmar que a corrupção de hoje nasceu na época colonial. Entretanto, práticas de favorecimento pessoal e confusão entre o público e o privado atravessaram diferentes períodos da nossa história.

A corrupção não nasceu ontem. Apenas aprendeu a vestir roupas novas.

Hoje, não precisa de caravelas para transportar riquezas. Pode valer-se de contratos fraudulentos, desvios de recursos e acordos obscuros, enquanto tantos brasileiros ainda enfrentam dificuldades para obter saúde, educação, segurança e moradia dignas.

Somam-se a isso a complexidade tributária, a burocracia e a distância que frequentemente separa representantes e representados. E, a cada crise, reaparecem os autoproclamados salvadores da Pátria, oferecendo soluções fáceis para problemas difíceis.

Prometer é simples. Governar com responsabilidade é outra história

Também precisamos reconhecer nossas contradições. Exigimos honestidade dos governantes, mas nem sempre rejeitamos os pequenos privilégios que nos favorecem. Criticamos os abusos do poder, porém, por vezes, deixamos de acompanhar o trabalho daqueles que elegemos.

A democracia não termina na urna. Exige participação, fiscalização, instituições transparentes e responsabilização de quem descumpre a lei. E não se pode esquecer que há pessoas íntegras na política, no serviço público e nas empresas, cuja atuação não deve ser confundida com a dos que cometem irregularidades.

O Brasil não precisa de salvadores da Pátria. Precisa de cidadãos conscientes e governantes comprometidos com o interesse coletivo. Porque não basta trocar os ocupantes do poder se continuarmos tolerando os mesmos costumes.

Talvez seja por isso que o gigante pela própria natureza, apesar de suas riquezas e possibilidades, ainda pareça adormecido em berço esplêndido.

E a pergunta se faz oportuna: 

Até quando, ó Pátria amada, idolatrada, esperaremos que o Brasil desperte sem perceber que também cabe a nós acordá-lo?

Fonte: Olmair Perez Rillo é membro da Academia Penapolense de Letras (APL), integra a Comissão de Méritos da Câmara Municipal de Penápolis, Conselhos Gestores do Saneamento Ambiental (DAEP) e da Política Urbana, marketólogo, palestrante motivacional, Presidente da Associação dos Aposentados Pensionistas e Idosos de Penápolis (A.A.P.I.P). Instagram @olmairperez

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