ALERTA DE GOLPES
Alerta para moradores de Penápolis sobre golpe do falso atendente bancário
Quadrilha desarticulada no interior causou prejuízo de R$ 1,27 milhão. Idoso de 80 anos perdeu R$ 180 mil em uma única ligação
Publicado em 22/10/2026 às 13:23
O telefone toca, do outro lado alguém se apresenta como funcionário do banco e avisa que uma compra estranha foi identificada na sua conta. A conversa parece legítima, o interlocutor sabe seus dados e o tom é de urgência. É exatamente assim que começa um dos golpes mais aplicados no estado de São Paulo, e a Polícia Civil pede que a população de Penápolis redobre a atenção.
A dimensão do problema ficou clara nesta semana. Na terça-feira, a Polícia Civil deflagrou uma operação contra uma organização criminosa especializada nesse tipo de fraude, com prejuízo calculado em R$ 1,27 milhão. Só em Presidente Venceslau, no interior paulista, os investigadores localizaram 2,7 mil linhas telefônicas virtuais ligadas ao grupo. Ao todo, 114 boletins de ocorrência registrados no estado têm possível participação dos investigados.
O caso que deu origem à apuração mostra o tamanho do estrago que uma ligação pode causar. Um idoso de 80 anos, morador daquela cidade, perdeu R$ 180 mil depois de atender criminosos que se apresentaram como funcionários de uma instituição bancária. Convencido de que havia um problema na conta, ele acabou fazendo uma transferência sem saber que estava sendo enganado.
Como o golpe funciona
A abordagem acontece principalmente por telefone, mas também aparece por mensagens e até presencialmente. O criminoso afirma ter identificado uma compra desconhecida, uma tentativa de fraude ou alguma irregularidade na conta, e costuma citar dados pessoais da vítima para dar credibilidade à conversa.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, uma das táticas é simular uma central de atendimento, criando a sensação de que a pessoa precisa seguir procedimentos de segurança.
A partir daí vêm os pedidos. Acessar o aplicativo do banco, clicar em um link recebido por mensagem, instalar algum programa no celular ou transferir dinheiro para uma conta indicada pelo próprio interlocutor. Sob o argumento de cancelar a compra ou de proteger o saldo, a vítima autoriza operações ou entrega informações que permitem ao criminoso esvaziar a conta.
Um ponto precisa ficar claro. Nenhuma instituição financeira pede que o cliente faça transações bancárias para cancelar compras suspeitas. Diante de uma ligação ou mensagem nesse formato, a orientação é encerrar o contato e procurar o banco pelos canais oficiais.
O falso motoboy
Uma variação do golpe envolve a entrega do cartão. Pelo telefone, o criminoso informa que o plástico foi clonado e avisa que um representante do banco vai até a casa do cliente buscá-lo.
A vítima pode ser orientada a informar a senha ou a cortar o cartão antes da entrega. O detalhe perigoso é que, mesmo cortado, o chip pode permanecer intacto e ser usado em operações fraudulentas.
A recomendação é direta. Não entregue seu cartão a ninguém, mesmo que a pessoa se identifique como funcionário do banco ou mostre um crachá. Havendo suspeita de clonagem, o titular deve pedir o bloqueio pelos canais oficiais da instituição e inutilizar o cartão seguindo as instruções recebidas.
Sinais de que é golpe
Alguns comportamentos denunciam a tentativa de fraude. Pedido de senha ou de código de segurança recebido por SMS é um deles, já que esses dados não devem ser compartilhados com ninguém. Solicitação de Pix ou transferência para uma suposta conta segura é outro.
Links enviados por mensagem de contatos não salvos no celular também merecem desconfiança, assim como pedidos para instalar aplicativos. A pressão para agir imediatamente, com ameaça de bloqueio da conta ou de perda do dinheiro, é tática recorrente.
Pedido para entregar o cartão nunca é legítimo, porque bancos não enviam motoboys para recolher o documento de clientes.
Vale ainda um alerta sobre o número que aparece na tela. Ele não garante que a ligação seja verdadeira, já que pode ser manipulado. O caminho seguro é desligar e procurar o banco pelo telefone impresso no cartão ou pelo aplicativo, sem retornar para números fornecidos pelo interlocutor nem seguir qualquer instrução recebida naquele contato.
O que fazer se já caiu no golpe
Quem desconfia que teve os dados comprometidos ou já realizou alguma operação a pedido de criminosos precisa agir rápido.
O primeiro passo é comunicar o banco, informando a fraude, pedindo o bloqueio do cartão e dos acessos comprometidos e contestando as transações não reconhecidas.
No caso de Pix, o aviso à instituição deve ser imediato, com pedido de análise da operação e adoção dos procedimentos disponíveis para tentar reaver o valor. Vale lembrar que a devolução não é garantida.
Guardar as provas é fundamental. Comprovantes, extratos, mensagens, e-mails, números de telefone e registros das ligações ajudam na investigação.
Por fim, é preciso registrar boletim de ocorrência, relatando como tudo aconteceu. O registro pode ser feito pela Delegacia Digital da Polícia Civil de São Paulo, conforme as opções do sistema, ou presencialmente em uma delegacia.
As duas medidas se complementam. Mesmo depois de falar com o banco, é importante formalizar a denúncia e guardar os protocolos de atendimento.
A principal recomendação continua sendo a mais simples. Não execute nenhum procedimento financeiro orientado por alguém que entrou em contato de surpresa. Diante de qualquer alerta sobre compras suspeitas ou problemas na conta, confirme a informação diretamente com a instituição, de preferência pessoalmente.
Mais orientações sobre fraudes bancárias estão reunidas na cartilha “Golpe To Fora”, material educativo da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, disponível em https://www.ssp.sp.gov.br/midia/Midia/00000349.pdf
Fonte: PC com informações do Governo de SP
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