GESTÃO PÚBLICA
Planejamento urbano define hoje a cidade que vamos viver daqui a 30 anos
Decisões sobre zoneamento e expansão tomadas agora vão moldar o futuro do município e a vida das próximas gerações
Publicado em
21/08/2026 às 13:09
Atualizado em
Toda cidade é resultado de escolhas. Algumas foram feitas há décadas, quando ninguém imaginava o tamanho que o município teria, e outras estão sendo feitas agora, muitas vezes sem que a população perceba. A aprovação de um loteamento, a definição de onde pode ou não haver comércio, a largura de uma rua nova. Nada disso é detalhe técnico distante da vida real. É exatamente isso que vai determinar se daqui a trinta anos teremos uma cidade organizada ou um emaranhado de problemas caros de resolver.
O planejamento urbano ganhou espaço no debate nacional nos últimos anos, especialmente depois que grandes centros passaram a colher as consequências de crescer sem ordem. Enchentes, trânsito insuportável e bairros inteiros sem infraestrutura básica são, em grande parte, herança de decisões mal tomadas ou simplesmente não tomadas. A boa notícia é que municípios de porte médio ainda têm tempo de fazer diferente.
O instrumento central dessa discussão é o Plano Diretor. Ele funciona como uma espécie de constituição da cidade, definindo para onde ela pode crescer, o que pode ser construído em cada região e quais áreas precisam ser preservadas. Quando bem elaborado e, principalmente, quando respeitado, ele evita que interesses pontuais se sobreponham ao interesse coletivo.
Um exemplo prático ajuda a entender. Quando um novo loteamento é aprovado na periferia sem exigência adequada de contrapartidas, quem paga a conta depois é o próprio município. Será preciso levar asfalto, iluminação, rede de água, transporte e serviços públicos para uma região que talvez nem devesse ter sido ocupada naquele momento. O lote sai barato para quem compra, mas sai caríssimo para a cidade ao longo das décadas seguintes.
Há também o movimento contrário, igualmente importante. Cidades que crescem espalhadas, com vazios urbanos no meio da malha já consolidada, desperdiçam a infraestrutura que já existe. Terrenos ociosos em áreas com toda a estrutura pronta representam um custo invisível, enquanto a expansão avança para onde tudo ainda precisa ser construído.
Planejar não significa travar o crescimento, mas sim orientá-lo. Municípios que definem com clareza suas regras de ocupação atraem investimentos mais qualificados, porque o empreendedor sério valoriza previsibilidade. Ele quer saber que a regra de hoje será a mesma de amanhã.
O cidadão comum tem papel nesse processo, embora raramente saiba disso. As revisões do Plano Diretor passam por audiências públicas, e é ali que a população pode influenciar o desenho da cidade em que vive. A participação costuma ser pequena, e o resultado é que decisões estruturantes acabam tomadas por poucos.
No fim das contas, a pergunta que toda gestão deveria se fazer é simples. Que cidade queremos entregar para quem ainda vai nascer? A resposta não está no próximo ano nem na próxima eleição. Está nos mapas, nas leis de zoneamento e nas escolhas silenciosas que fazemos agora.
Fonte: Wilson Alexandre Oliva é graduado em Ciências Contábeis (FUNEPE) e possui MBA em Gestão de Pessoas com ênfase em Liderança
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