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COLUNA DO OLMAIR

Siglas de aluguel e candidaturas sem conteúdo cobram um preço alto do Brasil

Olmair Perez Rillo defende partidos programáticos e responsáveis como caminho para a governabilidade e o fortalecimento da democracia

Publicado em 19/09/2026 às 22:17

Olmair Perez Rillo (Foto: Acervo pessoal)

Em todas as eleições brasileiras, o surgimento de múltiplos candidatos sem chances reais de vitória atende a interesses estratégicos específicos dos partidos e de suas lideranças, uma vez que tais candidaturas cumprem funções próprias dentro do ecossistema político.

A simples participação em pleitos majoritários, portanto, pode contribuir para a manutenção das estruturas partidárias e o acesso aos mecanismos de financiamento previstos pela legislação eleitoral, tornando a disputa eleitoral, em alguns casos, menos uma busca legítima pelo poder e mais uma estratégia de sobrevivência política.

Paralelamente, a dinâmica da cláusula de barreira evidencia o papel dos chamados “puxadores de votos”, capazes de dar visibilidade às siglas e impulsionar bancadas legislativas. Dessa maneira, determinadas candidaturas ajudam a garantir a sobrevivência eleitoral das legendas e a ampliar seu espaço institucional, enquanto debates e horários de propaganda funcionam como vitrines para projetar nomes nas disputas estaduais ou municipais.

Historicamente, o Brasil consolidou um dos Congressos mais fragmentados do mundo, tornando o presidencialismo de coalizão complexo e oneroso, muito embora a rigidez progressiva da cláusula de barreira venha modificando esse panorama e concentrando o poder em um número menor de blocos partidários.

Contudo, a fragmentação interna permanece elevada, obrigando o Executivo a negociar constantemente com diferentes grupos parlamentares, muitas vezes mais unidos em torno de interesses específicos do que as próprias siglas partidárias.

Embora essa pluralidade possa garantir espaço para o voto de protesto e para manifestações legítimas de descontentamento, ela também impõe custos elevados ao país. O excesso de interesses particulares amplia a articulação política, dificulta a formação de consensos e pode retardar decisões necessárias à construção de políticas públicas de longo prazo.

É preciso, entretanto, fazer uma distinção considerada fundamental: partidos políticos merecem respeito quando se apresentam como instituições comprometidas com ideias, princípios, competência e responsabilidade pública. Não merecem o mesmo respeito aqueles que abrigam candidatos meramente folclóricos, sem a mínima condição de compreender a complexidade da função que pretendem exercer, lançados às eleições exclusivamente para cumprir uma estratégia partidária e ajudar a manter seus pseudolideres no poder.

Uma democracia não se fortalece apenas porque qualquer pessoa pode se candidatar. Ela se fortalece quando os partidos assumem a responsabilidade de oferecer ao eleitor alternativas minimamente preparadas para governar, legislar e representar a sociedade. Não é razoável transformar a política em palco para candidaturas sem conteúdo, utilizadas apenas como instrumentos de propaganda, de sobrevivência eleitoral ou de manutenção de grupos que se perpetuam no poder.

Nesse cenário de transição, legendas estruturadas, com participação efetiva nas diversas esferas governamentais, conseguem se proteger melhor dos riscos eleitorais e ampliar sua relevância institucional. Torna-se evidente, assim, que partidos fortes e responsáveis são essenciais para sustentação dos ideais verdadeiramente republicanos, pois, sem instituições partidárias consistentes, o sistema oscila ao sabor de personalismos, impulsos momentâneos e interesses circunstanciais.

Independentemente de quem vença a disputa presidencial, o futuro governante precisará, obrigatoriamente, negociar com os partidos o apoio necessário para restabelecer a governabilidade e a estabilidade de que o país não pode prescindir.

Em última análise, fortalecer as agremiações partidárias não é uma escolha ideológica, mas uma urgência democrática. Isso porque o Brasil já testemunhou o preço cobrado pela pulverização e pelo personalismo político, traduzido em paralisia legislativa, negociações intermináveis e crises institucionais recorrentes.

O amadurecimento do nosso sistema, portanto, não depende da anulação das divergências, mas da capacidade de canalizá-las por meio de partidos programáticos, estáveis, responsáveis e verdadeiramente representativos.

Partido político não deveria ser abrigo para aventureiros nem instrumento de sobrevivência política, mas uma escola de cidadania, um espaço de ideias e um instrumento de transformação nacional.

Somente quando algumas legendas deixarem de ser meras siglas de aluguel para se tornarem verdadeiras instituições de ideias, o país conseguirá substituir o pragmatismo fisiológico do curto prazo por um projeto de nação robusto, perene e verdadeiramente soberano.

Fonte: Olmair Perez Rillo é membro da Academia Penapolense de Letras (APL), integra a Comissão de Méritos da Câmara Municipal de Penápolis, Conselhos Gestor do Saneamento Ambiental (DAEP) e da Política Urbana, marketólogo, palestrante motivacional, Presidente da Associação dos Aposentados Pensionistas e Idosos de Penápolis. (A.A.P.I.P). Instagram @olmairperez

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