Determinados assuntos são difíceis de serem abordados não só pela sua própria essência, mas porque podem levar algumas pessoas a imaginar que estão sendo induzidas a vestir a carapuça da irresponsabilidade.
Com receio de “comprar briga” alguns permanecem escondidos no silêncio enquanto que outros seguem adiante fazendo a sua parte para poder colocar a cabeça no travesseiro com a consciência tranquila do dever cumprido.
Em nossa cidade ao contrário das muitas que existem no Brasil não temos registrado racionamento ou mesmo falta de água nas torneiras uma vez que nossos gestores tiveram ao longo dos anos a mesma visão de futuro daqueles que em 1978 criaram o DAEP (Departamento Autônomo de Água e Esgoto de Penápolis, agora denominado Autarquia Municipal de Saneamento Ambiental) e anos mais tarde (1991) o Consórcio Intermunicipal do Ribeirão Lajeado (CIRL) - cujo foco é a preservação da sua bacia hidrográfica - ao qual se juntou em 1993 o Centro de Educação Ambiental (CEA) responsável pelos programas de educação dirigidos à nossa rede escolar e interessados de modo geral.
Ainda sob a responsabilidade do DAEP com a criação em 2001 da Cooperativa dos Recicladores de Penápolis (CORPE) tivemos uma efetiva melhora no recolhimento dos resíduos sólidos e recicláveis além de proporcionar excelente qualidade de vida àqueles que sobreviviam daquilo que conseguiam retirar do insalubre aterro sanitário.
Acresça-se a isto, com a recente perfuração do poço profundo cujo funcionamento ainda requer inúmeras ações técnicas e burocráticas para ser colocado em funcionamento - já que não se trata de um simples “buraco” no fundo de um quintal - estaremos praticamente livres do desabastecimento a não ser que o nosso principal fornecedor continue correndo o risco de sofrer com as mudanças climáticas previstas para os próximos anos não só em Penápolis, mas em todo país.
Isto nos leva perguntar: para que servirá todo empenho da pequena, mas eficiente equipe do CIRL em plantar árvores na bacia hidrográfica do Lajeado se os principais beneficiados continuarem degradando o meio ambiente?
Para que servirá o esforço do CEA cujas colaboradoras se desdobram na capacitação dos professores sociedade civil e formação dos importantes agentes multiplicadores das ações praticadas na área ambiental?
Por outro lado, como motivaremos os dedicados garis ou os recicladores da CORPE se não separarmos os resíduos por nós produzidos com a devida precaução?
A resposta é só uma: somente teremos consciência do descaso quando a vaca for para o brejo (se ainda restar brejo) e os problemas baterem à nossa porta para mostrar que a insensatez produziu frutos que poderiam ter sido doces se tivéssemos plantado mais árvores ou adotado os cuidados indispensáveis para colaborar com a limpeza da cidade que é muito bem cuidada graças ao premiado Projeto Sol que está sendo copiado por outras regiões.
Se a degradação for a herança que pretendemos deixar para nossos herdeiros sigamos em frente, mas ainda é tempo de abandonar o comodismo e fazer alguma coisa que valha a pena.
Uma delas é procurar aquela Autarquia - que está aberta ao fornecimento das informações relativas às complexidades que enfrentam – para evitar que o desconhecimento nos leve a efetuar julgamentos ou comentários não condizentes com a verdade.