Portal da Cidade Penápolis

EDUCAÇÃO E CULTURA

O impacto silenciado da ditadura na educação e na cultura do país

Olmair Rillo resgata as memórias e as duras perseguições promovidas pelo regime militar que moldaram a realidade brasileira até os dias atuais

Publicado em 19/07/2026 às 00:01

Olmair Perez Rillo (Foto: Reprodução)

Utilizando-se das redes sociais alguns jovens desavisados que vieram ao mundo após o golpe de 1964 clamam pela volta dos militares ao poder tomando por base a crise política e os altos índices de corrupção existente no país.   

Quem viveu àquela época, no entanto, haverá de concordar que se de um lado aquele período deixou lembranças amargas que o tempo não conseguiu e não conseguirá apagar, por outro algo de bom também aconteceu. 

Muito embora exista uma aura de honestidade colocada sobre as forças armadas há quem diga o contrário lembrando ser mais difícil saber o que acontece nos seus bastidores, fato que não ocorre na democracia onde poderemos saber quem corrompe ou foi corrompido com certa facilidade,    

Não devemos nos esquecer, ainda, que o golpe civil-militar de 1964 perseguiu sistemática e violentamente os educadores cujos pensamentos e ações eram julgadas subversivas e contrárias aos alegados “interesses nacionais”. 

Foi exatamente a perseguição desses educadores e a interrupção dos projetos voltados a uma reforma popular e democrática do ensino que nos levou aos tempos nebulosos que a educação brasileira viveria e continua vivendo até hoje com reformas que causaram espanto ao próprio espanto. 

Isto nos permite afirmar que a educação básica em nosso país ficou profundamente afetada quando educadores e estudantes foram perseguidos, presos, exilados - e até assassinados - abrindo caminho para a aplicação de políticas com o objetivo de implantar uma ideologia baseada no medo.  

Mas não foi somente o esquema de repressão montado contra os “subversivos” e “comunistas”, pois houve, também, perseguição aos homossexuais, travestis, prostitutas e outras pessoas consideradas “anormais”. 

Esta perseguição absolutamente desprezível pode ser constatada analisando as detenções abusivas, os afastamentos dos cargos públicos, a censura e outras formas de violência praticadas sem o menor pudor ou constrangimentos por aqueles que rastejando nos porões da ditatura julgavam-se donos do poder.  

Não podemos deixar de registrar, ainda, a perseguição implacável sofrida por pessoas consideradas “exóticas” tais como o carnavalesco Clovis Bornay, o artista plástico Darcy Penteado, os estilistas Denner, Clodovil e Ney Matogrosso com o extraordinário Secos e Molhados. 

Essa discriminação, infelizmente, deu origem à “Comissão de Investigação Sumária” instalada em 1969 no Ministério das Relações Exteriores com a missão de reprimir as pessoas consideradas emocionalmente instáveis dentro do Itamaraty.

Por termos vivido durante os anos de chumbo não sentimos saudade e sempre nos lembraremos da última frase da peça “Arena conta Zumbi” dirigido por Augusto Boal que se tornou um marco no Teatro de Arena: 

- “Era um tempo de guerra, era um tempo sem sol…” 

Fonte: Olmair Perez Rillo é membro da Academia Penapolense de Letras (APL), integra a Comissão de Méritos da Câmara Municipal de Penápolis, faz parte dos Conselhos Gestor da Autarquia Municipal de Saneamento Ambiental (DAEP) e da Política Urbana, marketólogo, palestrante motivacional, Presidente da Associação dos Aposentados Pensionistas e Idosos de Penápolis. (AAPIP). Instagram @olmairperez.

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