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ARTIGO

Olmair Rillo afirma que a morte nos ensina a viver antes que seja tarde

Em artigo, o escritor lembra que a passagem por este mundo é limitada e que o tempo curto deveria mudar nossas prioridades

Publicado em 01/11/2026 às 12:42

Olmair Perez Rillo (Foto: Reprodução)

Quando perdemos alguém que amamos, a dor costuma trazer consigo uma pergunta que raramente fazemos enquanto a vida segue seu curso habitual: se a morte é a única certeza que temos, por que não aprendemos, com ela, a viver melhor?

Do ponto de vista científico, a morte representa a cessação irreversível das funções vitais do organismo. O que existe depois dela, entretanto, permanece no campo das crenças, da fé e da espiritualidade.

Para os espíritas, a morte não significa o fim, mas a passagem do espírito para outra dimensão da existência, com a possibilidade de novas experiências por meio da reencarnação. Para os católicos e, de modo geral, os evangélicos, a vida terrena é única, e a esperança repousa na ressurreição e na vida eterna.

São diferentes compreensões diante do mesmo mistério. Mas, independentemente daquilo em que acreditamos, uma realidade permanece: nossa passagem por este mundo é limitada.

A perda de alguém querido provoca uma dor que não desaparece simplesmente porque sabemos que a morte é inevitável. O luto precisa ser vivido, a saudade respeitada e as lágrimas compreendidas. Não existem prazos determinados para que o coração aprenda a conviver com a ausência.

Entretanto, aqueles que partiram podem continuar presentes de outra maneira: nos exemplos que deixaram, nas palavras que ensinaram, nos momentos compartilhados e nas lembranças que o tempo não consegue apagar.

Talvez uma das formas mais generosas de honrar sua memória seja permitir que o amor vivido continue produzindo bons frutos em nossa própria existência.

A vida passa depressa. E, justamente por isso, deveríamos amar enquanto podemos, perdoar enquanto há tempo, abraçar enquanto os braços ainda podem alcançar e dizer “eu amo você” antes que o silêncio torne impossível essa declaração.

Infelizmente, costumamos tratar a morte como um assunto proibido. Evitamos falar sobre ela, como se ignorá-la pudesse afastá-la de nosso caminho. Mas a realidade não se modifica pelo simples desejo de que seja diferente.

Somos seres transitórios. Nascemos, crescemos, envelhecemos e, inevitavelmente, partimos. Essa constatação não deveria nos ensinar a viver com medo, mas com maior consciência do valor de cada dia.

Quando compreendemos que o tempo é limitado, começamos a perceber que muitas das coisas pelas quais brigamos não merecem tanta importância, que certas mágoas poderiam ser perdoadas, que algumas palavras não deveriam permanecer guardadas e que muitos sonhos não podem continuar sendo adiados indefinidamente.

Talvez seja essa a grande lição escondida na morte: ela nos recorda que a vida não pode ser vivida como se tivéssemos todo o tempo do mundo.

Afinal, de pouco adianta lamentar as oportunidades perdidas quando já não podemos recuperá-las. Mais sensato é reconhecer, enquanto estamos aqui, o valor das pessoas, dos afetos e dos pequenos acontecimentos que dão sentido à nossa existência.

Porque a morte, ao nos lembrar que um dia partiremos, talvez esteja nos oferecendo seu ensinamento mais precioso: aprender a viver antes que seja tarde demais.

Fonte: Olmair Perez Rillo é membro da Academia Penapolense de Letras (APL), integra a Comissão de Méritos da Câmara Municipal de Penápolis, Conselhos Gestores do Saneamento Ambiental (DAEP) e da Política Urbana, marketólogo, palestrante motivacional, Presidente da Associação dos Aposentados Pensionistas e Idosos de Penápolis (A.A.P.I.P). Instagram @olmairperez

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