Durante muito tempo, a inteligência artificial (IA) foi vista apenas como uma promessa distante. Hoje, ela faz parte do dia a dia das fábricas e do campo, impulsionando eficiência, reduzindo custos e apoiando práticas mais sustentáveis. Segundo Elizeu dos Santos, especialista em agronegócio, essa tecnologia, quando aliada a um bom direcionamento humano, transforma processos simples e complexos, impactando diretamente na produtividade e na qualidade de diversas etapas produtivas.
O Brasil mantém uma forte presença agrícola e industrial e a expectativa é de que haja uma safra recorde de grãos no país para o ciclo de 2025/2026, com mais de 353 milhões de toneladas, segundo a Conab. Em meio a essa demanda, a IA deixa de ser apenas uma ferramenta de apoio e assume papel estratégico. Nas fábricas, sistemas de reconhecimento comparam em tempo real imagens de peças recém-montadas com o projeto original, identificando falhas ou componentes ausentes, o que reduz o tempo gasto em inspeções manuais e aumenta a confiabilidade da produção.
A Indústria 4.0 integra tecnologias digitais e processos produtivos através de sensores conectados e análise de dados em larga escala, permitindo monitorar a linha de produção e prever falhas. Gêmeos digitais viabilizam simulações sem interromper a operação real, enquanto robôs colaborativos dividem espaço com operadores humanos e algoritmos otimizam fluxos para reduzir desperdícios. Além disso, a conectividade 5G e a computação em nuvem garantem acesso remoto às informações, onde a cibersegurança se torna prioridade para proteger dados estratégicos.
Já no campo, a IA torna a agricultura de precisão prática e eficiente. Pulverizadores com imageamento em tempo real identificam plantas indesejadas e aplicam defensivos de forma localizada. Sistemas de orientação automática diminuem sobreposições de 30 cm para cerca de 5 cm, enquanto o controle de seção ajusta automaticamente a aplicação de fertilizantes, eliminando lacunas e minimizando excessos. Essas tecnologias digitais facilitam o registro de tarefas e o planejamento de manutenção, otimizando recursos e aumentando o rendimento.
Mais do que otimização, a inteligência artificial redefine o papel do agricultor, que passa de executor para gestor de inteligência, tomando decisões baseadas em dados em tempo real. Essa revolução silenciosa não se limita à indústria ou ao campo, mas redefine o modelo produtivo do Brasil, mostrando que eficiência, inovação e sustentabilidade podem caminhar juntas. O desafio agora é ampliar o acesso a essas tecnologias para que diferentes produtores possam usufruir dos benefícios de uma agricultura cada vez mais competitiva.
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