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PAPO DE ESPECIALISTA

Stephanie Garofalo explica os riscos do biofilme bucal para a saúde

Especialista alerta sobre a película invisível nos dentes e detalha novas abordagens preventivas na odontologia

Publicado em 21/05/2026 às 21:31

dra. Stephanie Garofalo (Foto: Reprodução)

Ele não dói no começo, não aparece com facilidade no espelho e faz parte da rotina de qualquer pessoa. Ainda assim, o biofilme bucal, popularmente conhecido como placa bacteriana, está diretamente ligado aos problemas mais comuns da saúde oral, como cáries, gengivite e periodontite.

Mais do que uma simples “sujeira”, trata-se de uma estrutura complexa de microrganismos que se organiza diariamente sobre dentes e gengivas. “Hoje sabemos que o biofilme é uma comunidade altamente estruturada, formada por diferentes microrganismos que interagem entre si. Quando está em equilíbrio, não causa danos. O problema começa quando ele não é removido adequadamente”, explica a Dra. Stephanie Garofalo, especialista em Periodontia e Implantodontia e SDA Trainer da EMS.

Um problema silencioso e cumulativo

O ambiente da boca favorece a rápida formação do biofilme. Em poucas horas após a escovação, ele já começa a se reorganizar, alimentado por resíduos de alimentos e pela própria microbiota oral.

Quando não é controlado, esse acúmulo cria um cenário propício para a proliferação de bactérias mais agressivas, capazes de liberar substâncias inflamatórias que afetam gengivas e dentes.

Os primeiros sinais, muitas vezes ignorados, incluem:

  •     sangramento ao escovar ou usar fio dental
  •     sensação de dentes “ásperos”
  •     gengiva inchada ou avermelhada
  •     mau hálito persistente

“Esses sintomas costumam ser vistos como algo simples, mas já indicam um desequilíbrio importante na saúde bucal”, alerta a especialista.

Com o tempo, o biofilme pode se mineralizar e se transformar em tártaro, condição que já exige intervenção profissional.

Hábitos do dia a dia fazem toda a diferença

A formação do biofilme está diretamente ligada à rotina. Escovação incompleta, ausência do uso de fio dental e consumo frequente de açúcar favorecem o acúmulo.

Além disso, algumas condições exigem atenção redobrada. Pessoas com aparelho ortodôntico, implantes ou doenças sistêmicas, como diabetes, podem ter maior dificuldade em controlar o biofilme no dia a dia.

A saliva também desempenha um papel fundamental nesse equilíbrio, ajudando na limpeza natural da boca e na proteção contra microrganismos. Quando sua função está comprometida, o risco de acúmulo aumenta.

Nem sempre a escovação é suficiente

Embora a higiene diária seja essencial, ela nem sempre consegue remover completamente o biofilme, especialmente em áreas de difícil acesso.

Por isso, o acompanhamento odontológico periódico é parte fundamental da prevenção. “A combinação entre hábitos adequados e avaliação profissional permite identificar precocemente qualquer alteração e evitar a progressão de problemas”, explica Garofalo.

Uma nova abordagem no controle do biofilme

Nos últimos anos, a odontologia tem evoluído para abordagens mais preventivas e menos invasivas. Um exemplo é o Protocolo GBT (Guided Biofilm Therapy), que propõe uma mudança na forma de enxergar e tratar o biofilme.

Diferente das limpezas tradicionais focadas apenas na remoção mecânica, a GBT parte da identificação precisa do biofilme para guiar todo o tratamento. “O protocolo permite visualizar exatamente onde o biofilme está, orientar melhor o paciente e realizar a remoção de forma mais confortável e eficiente”, explica a especialista.

A técnica utiliza tecnologias que combinam água morna, ar e partículas finas para remover o biofilme de maneira mais delicada, além de incluir etapas educativas que ajudam o paciente a melhorar sua higiene no dia a dia.

Entre os principais benefícios estão:

  • maior conforto durante o procedimento
  • abordagem menos invasiva
  • melhor entendimento do paciente sobre sua própria saúde bucal
  • foco ampliado em prevenção

Informação é prevenção

Entender o que é o biofilme e como ele atua é um passo essencial para evitar problemas mais complexos no futuro. “Quando o paciente compreende como o biofilme se forma e aprende a controlá-lo, ele passa a ter um papel ativo na própria saúde. E isso faz toda a diferença ao longo do tempo”, afirma a Dra. Stephanie.

No fim, a lógica é simples: o biofilme está presente todos os dias, e o cuidado com ele também precisa estar.

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