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OPINIÃO

Penapolense Olmair Rillo reflete sobre a arte e o legado do palhaço nas arenas

Em artigo especial, autor relembra a nostalgia dos antigos circos e a missão de transformar a dor em riso nas gerações.

Publicado em 27/04/2026 às 09:48
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Olmair Perez Rillo (Foto: Reprodução)

Houve um tempo no qual circos e parques de diversões que vinham para Penápolis se instalavam no terreno hoje ocupado pelo Ginásio Municipal de Esportes Professor Antônio de Castilho Braga — conhecido como Gigantão Azul — onde se ouvia: “hoje tem marmelada? Tem sim senhor! Hoje tem goiabada? Tem sim senhor! E o palhaço, o que é? É ladrão de mulher”!

Antigamente era assim, hoje não mais, pois a maioria dos circos deixou de existir, restando apenas os poucos que teimam em seguir demonstrando sua arte como o que vimos recentemente na esquina da Marginal Maria Chica com a Rua Giacomo Paro.

Sem janelas fixas para o mundo, estes apaixonados pelo picadeiro acordam todas as manhãs com uma visão diferente do sol, mas não pensam em desistir, uma vez que o amor pelo que fazem continuará permitindo que continuem sendo responsáveis pela formação dos casais que darão origem àqueles que — não se sabe até quando — levarão adiante a missão de promover entretenimento, transmitir emoções e alegrias.

Acreditamos serem estes sentimentos demonstrados na felicidade percebida nos olhos de cada artista que os tornaram cada vez mais admirados, respeitados e queridos, já que é impossível alguém distribuir aquilo que não possui.

Exemplo desta constatação nos foi deixado por Motinha, o comediante que ainda criança aprendeu o ofício de fazer rir e passou pela nossa cidade nas décadas de 50 e 60 do século passado.

Conta-nos a história que em uma manhã de sábado, já afastado das suas atividades, a mais jovem de suas netas, ao olhar fotos antigas, perguntou por que ele não entrava na arena para fazer as pessoas sorrirem. Sua avó, carinhosamente chamada de Nhá Fia, tentou explicar os motivos, mas a pequena continuou dizendo que vestido daquele jeito todos iriam dar muitas gargalhadas, caso ele fosse.

Em uma das matinês de domingo, quando estava completando nove anos, o espetáculo começou rigorosamente dentro do horário previsto, mas foi durante a apresentação dos comediantes que a surpresa se fez presente, pois à frente deles surgiu um senhor vestindo roupas vermelhas, trazendo na cabeça um chapéu que lembrava Carlitos — o personagem imortal criado por Chaplin — uma grande flor à esquerda do peito e sapatos enormes que mal conseguiam mantê-lo de pé.

O que acontecia, no entanto, é que ele, abusando das suas limitações físicas, equilibrava-se com dificuldades sobre as próprias pernas, dando a impressão de que seu caminhar fazia parte das pantomimas. Naquela tarde, quase noite, apesar de entusiasticamente aplaudido, ainda conseguiu ouvir sua netinha dizendo: esse é meu avô, esse é meu avôô, esse é meu avôôôôô!... Naquele momento, o velho palhaço que fizera todo mundo sorrir, chorou!

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