O representante do Centro Cultural Associata, Pedro Boor, publicou um vídeo nas redes sociais para contestar a ordem de despejo emitida pela Prefeitura contra a entidade.
A decisão do Executivo ocorreu após a circulação de imagens de um evento realizado na Sexta-Feira Santa, classificado pela administração municipal como profano e desrespeitoso a símbolos religiosos. A associação afirma que o material divulgado foi manipulado e retirado de contexto para criar pânico na população e construir uma narrativa política baseada em desinformação.
Segundo Pedro Boor, o evento intitulado Sangria Desatada não teve motivação religiosa e reuniu múltiplas linguagens artísticas, como exibições de documentários, artes visuais e música eletrônica de artistas locais.
Ele negou veementemente a presença de imagens sacras ou a realização de uma festa satânica, esclarecendo que adereços como uma máscara de bode pertenciam a um espetáculo teatral. Boor também pediu desculpas a quem se sentiu ofendido, mas ressaltou que a data foi apenas coincidência e que o espaço possui alvará regular para suas atividades.
A principal acusação direcionada à prefeitura refere-se à legalidade do ato administrativo de retomada do imóvel, que estava cedido à associação. A entidade afirma que a gestão emitiu a ordem de despejo sem a abertura de um processo administrativo formal, desrespeitando princípios básicos como o contraditório e a ampla defesa.
Segundo o relato de Boor, a associação não foi ouvida e não houve apuração dos fatos antes da decisão unilateral, o que os integrantes classificam como uma medida autoritária por parte da Prefeitura de Araçatuba.
Boor destacou ainda o papel social e urbanístico desempenhado pelo Centro Cultural Associata na Vila Ferroviária, região que, de acordo com ele, anteriormente estava deteriorada e abandonada. A movimentação cultural promovida pela entidade ajudou a revitalizar o entorno e estimulou a própria secretaria de cultura a realizar intervenções no Museu Marechal Cândido Rondon, que fica ao lado. Para a associação, o fechamento do espaço representa uma perda significativa para a formação artística e para o acesso gratuito à cultura na cidade.
Boor encerra sua manifestação afirmando que o embate não é apenas sobre a permanência em um imóvel, mas sobre o respeito à lei e à verdade dos fatos. A entidade sustenta que a prefeitura tenta enganar a opinião pública com recortes de internet enquanto ignora os ritos legais necessários para qualquer punição administrativa e reforça que o evento foi uma proposta de artistas locais acolhida pelo espaço e que o fechamento do local atinge diretamente a população que utiliza os serviços oferecidos.