Já há algum tempo venho insistindo no assunto relativo à produção de uva de mesa como uma alternativa muito interessante para nossa região. Afinal, a produção de uvas de mesa tem se consolidado como uma alternativa relevante para pequenos produtores rurais, sobretudo em regiões de clima quente e solo propício, como é o caso do noroeste paulista. Além de representar uma atividade economicamente viável, a viticultura de mesa fortalece a agricultura familiar, contribui para a fixação das famílias no campo e abre espaço para práticas agrícolas mais sustentáveis.
Na região de Jales (SP), a produção se destaca tanto pela qualidade das frutas quanto pela tradição dos viticultores. As cultivares mais comuns — como a Niágara Rosada, BRS Vitória e BRS Isis, e também uvas para processamento, como a BRS Bibiana e BRS Lorena. — são bem adaptadas às condições locais e permitem manejo estratégico da produção, viabilizando colheitas fora da safra tradicional de outras regiões, o que agrega valor comercial.
O cultivo de uvas em pequenas propriedades apresenta vantagens importantes. Trata-se de uma cultura que, apesar de intensiva, é compatível com a estrutura familiar, permitindo o uso da mão de obra doméstica e a geração de postos de trabalho temporários, principalmente nas etapas de poda, desbrota e colheita. Estima-se que uma propriedade com 2 a 3 hectares de parreiras seja capaz de gerar renda significativa quando associada a boas práticas de manejo e canais adequados de comercialização.
Contudo, persistem entraves técnicos e estruturais. A ausência de assistência técnica regular, a utilização excessiva de defensivos sem base em monitoramento fitossanitário adequado e a má gestão da irrigação ainda são desafios frequentes. Muitos produtores não adotam critérios agronômicos para a fertirrigação, por exemplo, o que pode levar ao desperdício de insumos e à degradação ambiental. Além disso, a carência de mão de obra qualificada limita a expansão sustentável da atividade.
Do ponto de vista do desenvolvimento regional, a viticultura apresenta grande potencial. Seu cultivo contribui diretamente para a dinamização econômica de municípios de base agrícola, fomenta redes de cooperativismo e associações, e amplia o acesso dos produtores a mercados institucionais e diferenciados — como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e mercados de alimentos frescos.
O avanço de práticas agroecológicas e o uso de tecnologias acessíveis, como sensores de umidade, controle biológico de pragas e podas programadas, tornam essa cultura cada vez mais compatível com os princípios de uma produção limpa e eficiente. Além disso, o incentivo à diversificação de cultivares, incluindo variedades sem sementes e resistentes a doenças, pode reduzir o uso de agroquímicos e aumentar a competitividade do pequeno produtor.
Em resumo, a viticultura de mesa não apenas gera renda: ela representa uma estratégia inteligente para a sustentabilidade econômica e ambiental da agricultura familiar. Com apoio técnico, crédito orientado e políticas públicas adequadas, é possível transformar parreirais em vetores de progresso rural, integração produtiva e segurança alimentar.
Nesse esforço, o SENAR estará oferecendo cursos de preparação para plantio, cultivo e produção de uvas em Penápolis. São cursos de excelente qualidade, com instrutores experientes e capacitados na área.
Curso de Uva: Produção de Mudas
Dias 12 e 13 de agosto.
Este curso especifico será tratado sobre como podar as videiras, a melhor época pra retirada de ramos pra fazer mudas (estacas) e também sobre a importância de utilizar os porta-enxertos.
Serão aulas práticas de poda e produção de mudas por estaquia e enxertia em vinhedo implantado. Quem tiver oportunidade de participar, vai gostar.
As inscrições estão sendo feitas no Sindicato Rural de Penápolis pelo telefone (18) 3652-1811